Pesquisadores da Universidade Federal Fluminense (UFF) lideram o projeto “IA Verde”, iniciativa que investiga formas de desenvolver modelos de inteligência artificial com menor custo computacional. A proposta é discutir como o avanço da tecnologia pode ser acompanhado por práticas mais eficientes, reduzindo a pressão sobre a infraestrutura necessária para manter serviços digitais em funcionamento.
O estudo foi divulgado em 5 de outubro de 2026 pela Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação do Rio de Janeiro (SECTI-RJ). Segundo a secretaria, a pesquisa conta com apoio da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), do Instituto Serapilheira e de cientistas internacionais.
Por que a inteligência artificial depende de tanta infraestrutura
Embora muitas aplicações de inteligência artificial sejam acessadas por meio de celulares e computadores comuns, o processamento dos modelos ocorre em estruturas especializadas. Os data centers reúnem servidores capazes de executar grandes volumes de operações e manter sistemas disponíveis para usuários, empresas e instituições.
Essa operação exige eletricidade para alimentar os equipamentos e também sistemas de refrigeração para controlar o calor produzido durante o processamento. De acordo com as informações divulgadas pela SECTI-RJ, o uso de água nos data centers está relacionado especialmente ao resfriamento da infraestrutura. Assim, o crescimento dos serviços de IA amplia uma discussão que vai além do software e alcança os recursos físicos necessários para sustentá-lo.
O impacto ambiental não está ligado apenas ao momento em que uma pessoa utiliza uma ferramenta de inteligência artificial. Ele também envolve o treinamento e a manutenção dos modelos, a disponibilidade contínua dos servidores e a expansão das instalações capazes de atender à demanda. Por isso, avaliar o custo computacional de cada solução se tornou uma parte importante do debate sobre o futuro da tecnologia.
O que o projeto IA Verde pretende investigar
A proposta do projeto é trabalhar com modelos de inteligência artificial que exijam menos recursos computacionais. Em termos práticos, isso significa buscar maior eficiência no processamento, sem tratar a expansão da infraestrutura como única resposta ao aumento do uso da tecnologia.
O conceito de IA Verde está associado à tentativa de conciliar inovação e sustentabilidade. Em vez de considerar apenas a capacidade de um modelo produzir resultados, a pesquisa amplia a análise para o volume de computação necessário, o consumo de energia e as consequências ambientais da operação dos sistemas.
O projeto também coloca a universidade brasileira no centro de uma discussão internacional. A participação de cientistas de outros países, mencionada pela secretaria fluminense, indica que o tema ultrapassa fronteiras e envolve pesquisadores interessados em criar alternativas para uma área que cresce rapidamente.
Eficiência pode ajudar a reduzir impactos
Modelos mais eficientes podem contribuir para diminuir a quantidade de processamento exigida em determinadas tarefas. Isso não significa que a inteligência artificial deixará de depender de servidores ou de energia, mas que o desenvolvimento tecnológico pode considerar, desde o início, formas de usar melhor os recursos disponíveis.
Essa abordagem também pode favorecer a inclusão. Quando uma solução depende de estruturas computacionais muito amplas, seu desenvolvimento e sua operação tendem a ficar restritos a organizações com maior capacidade de investimento. Pesquisar modelos de menor custo pode abrir espaço para aplicações em ambientes com menos recursos, além de reduzir a dependência de uma expansão permanente dos data centers.
Para o usuário, a discussão ajuda a tornar mais visível a cadeia que existe por trás de ferramentas aparentemente intangíveis. Assistentes virtuais, sistemas de geração de conteúdo e outras aplicações digitais funcionam apoiados por equipamentos, redes elétricas e mecanismos de refrigeração. A eficiência desses sistemas, portanto, tem relação direta com o impacto produzido pela internet.
Universidades participam do futuro da IA
Ao liderar o IA Verde, a UFF participa de uma agenda que combina ciência da computação, sustentabilidade e políticas de inovação. O projeto mostra que a pesquisa sobre inteligência artificial não se limita à criação de novas funcionalidades ou à disputa entre empresas. Ela também envolve compreender os custos ambientais e sociais do funcionamento dessas tecnologias.
A divulgação da iniciativa pela SECTI-RJ reforça a presença do Rio de Janeiro no debate sobre soluções tecnológicas mais responsáveis. Com o apoio da Faperj, do Instituto Serapilheira e de pesquisadores internacionais, o estudo busca contribuir para uma inteligência artificial que avance sem ignorar a energia, a água e a infraestrutura física que tornam seu uso possível.
Os próximos passos do projeto deverão aprofundar a discussão sobre como medir e reduzir o custo computacional dos modelos. Enquanto a inteligência artificial ganha espaço em diferentes áreas, iniciativas como a IA Verde ajudam a formular uma pergunta essencial: como ampliar o acesso à inovação sem transformar o crescimento digital em uma pressão ambiental cada vez maior?

