Pesquisa mostra como conteúdos de influenciadores estão influenciando descobertas, compras e estratégias de marketing digital no país.
A publicidade feita por criadores de conteúdo ganhou ainda mais espaço na internet brasileira e começa a alterar a maneira como marcas apresentam produtos ao público. Um estudo divulgado em 18 de setembro pelo IAB Brasil, em parceria com a Offerwise, mostrou que 72% dos entrevistados afirmam que uma publicidade bem produzida por criadores gera interesse pelos produtos anunciados. O levantamento também aponta que 71% consideram esse tipo de conteúdo útil para descobrir novas marcas. (UOL Economia)
O dado é relevante porque a publicidade digital deixou de depender apenas dos anúncios tradicionais exibidos entre conteúdos. Nas redes sociais, o próprio conteúdo produzido por influenciadores passou a fazer parte da jornada de descoberta, consideração e compra. Para empresas, profissionais de marketing e pequenos negócios, isso significa que entender como o público consome conteúdo pode ser tão importante quanto definir o orçamento de uma campanha.
Por que os criadores ganharam espaço na publicidade digital
A pesquisa do IAB Brasil mostra que 69% dos entrevistados visualizam conteúdos de criadores que nem sequer seguem. Isso ajuda a explicar por que o alcance nas plataformas digitais não depende exclusivamente do tamanho da audiência de um perfil. Sistemas de recomendação podem levar uma publicação a pessoas que ainda não conhecem aquele criador, ampliando a possibilidade de descoberta de produtos, serviços e marcas. (UOL Economia)
O comportamento também aparece em dados do CGI.br, que mostram a presença consolidada das redes sociais na rotina dos brasileiros. Na TIC Domicílios 2025, 81% dos usuários de internet declararam utilizar redes sociais, enquanto 62% disseram compartilhar conteúdos na internet e 30% afirmaram ter publicado textos, imagens ou vídeos próprios. Entre as finalidades de criação de conteúdo aparecem também a divulgação do trabalho e a venda de produtos ou serviços. (Cetic.br)
Esse cenário cria uma mudança importante para quem trabalha com marketing digital. Em vez de pensar somente em publicidade como uma mensagem criada pela empresa e distribuída ao público, as marcas precisam considerar conteúdos capazes de participar naturalmente da experiência das redes. O formato, a linguagem, a confiança construída com a audiência e a capacidade de explicar um produto podem influenciar a maneira como uma campanha é recebida.
O que muda para quem vende pela internet
Os números também ajudam a entender por que empresas pequenas podem encontrar oportunidades nesse modelo. O estudo do IAB Brasil aponta que 65% dos entrevistados acompanham criadores com comunidades menores, indicando que uma audiência numericamente reduzida não significa necessariamente ausência de influência. Para uma estratégia digital, isso abre espaço para campanhas direcionadas a nichos específicos, nos quais o público compartilha interesses mais definidos. (UOL Economia)
A lógica combina com a forma como os brasileiros já utilizam a internet para buscar informação, entretenimento e serviços. Segundo o CGI.br, 33% dos usuários assistem a vídeos de influenciadores, enquanto tutoriais e videoaulas alcançam 31% dos usuários. A mesma pesquisa registra que 15% dos brasileiros criaram ou atualizaram blogs, páginas ou sites, enquanto 7% declararam utilizar a internet para vender produtos ou serviços. (Cetic.br)
Para uma loja virtual, isso significa que uma campanha pode ser pensada além do anúncio convencional. Um conteúdo explicativo, uma demonstração de produto ou uma publicação que responda a uma dúvida frequente pode funcionar como ponto de entrada para consumidores que ainda estão pesquisando. A estratégia, porém, exige atenção à transparência comercial, à qualidade das informações e à adequação da mensagem ao público, especialmente quando a publicidade é integrada ao conteúdo de entretenimento.
Como essa tendência afeta o futuro do marketing na internet
O crescimento da publicidade com criadores ocorre em paralelo à expansão do acesso digital no país. A TIC Domicílios 2025 indica que 86% dos domicílios brasileiros tinham acesso à internet, embora a diferença entre grupos de renda continue relevante: o percentual chegava a 98% nas famílias com renda superior a cinco salários mínimos e a 73% entre as classes DE. (Cetic.br)
A infraestrutura também continua sendo parte fundamental dessa transformação. Dados da Anatel referentes ao segundo trimestre de 2026 registraram 55,4 milhões de acessos de banda larga fixa no Brasil e 276,4 milhões de acessos móveis, dos quais 66,1 milhões utilizavam 5G. Isso significa que campanhas, vídeos, transmissões ao vivo e lojas digitais dependem de uma base de conectividade cada vez mais ampla para alcançar consumidores em diferentes regiões. (Serviços e Informações do Brasil)
Para quem trabalha na internet, o principal efeito dessa mudança é a necessidade de combinar conteúdo, distribuição e confiança. A pesquisa recente do IAB Brasil indica que a publicidade produzida por criadores pode despertar interesse e ajudar na descoberta de marcas, enquanto os dados do CGI.br mostram que redes sociais e produção de conteúdo já fazem parte do cotidiano de milhões de brasileiros. (UOL Economia)
Na prática, o cenário reforça a importância de estratégias digitais que não dependam de uma única plataforma ou formato. Empresas que vendem pela internet podem precisar acompanhar não apenas métricas como visualizações e seguidores, mas também sinais relacionados à descoberta, interação, tráfego e conversão. Para o consumidor, a tendência significa encontrar cada vez mais produtos e serviços inseridos em conteúdos que fazem parte da rotina das redes sociais.
A evolução também mostra que a economia digital brasileira está ficando mais dependente da qualidade da experiência online. Criadores, lojas, marcas e profissionais de marketing passam a disputar atenção em um ambiente no qual o conteúdo precisa ser relevante antes mesmo de ser promocional. Com o avanço das redes sociais, da conectividade e do comércio eletrônico, compreender esse comportamento se torna uma habilidade cada vez mais importante para quem pretende trabalhar, vender ou construir audiência na internet brasileira.
Fontes consultadas:
IAB Brasil — Boletim de Transparência Setembro de 2026CGI.br/Cetic.br — TIC Domicílios 2025: principais resultadosCGI.br/Cetic.br — Conteúdos de vídeos assistidos na internet, incluindo influenciadoresCGI.br/Cetic.br — Resumo Executivo da TIC Domicílios 2025Anatel — Relatório de Monitoramento da Competição, 2º trimestre de 2026

