Novo guia do CERT.br mostra como usar IA com mais segurança, enquanto dados recentes revelam o avanço dos golpes digitais no Brasil.
A inteligência artificial deixou de ser apenas uma tecnologia experimental e passou a fazer parte da rotina de quem trabalha, estuda, cria conteúdo e busca informações na internet. Para ajudar os usuários a entender melhor os riscos dessa mudança, o CERT.br, ligado ao Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br), lançou em 3 de setembro um novo fascículo da Cartilha de Segurança para Internet dedicado à inteligência artificial. O material aborda limitações dos modelos de IA, privacidade, golpes e a importância de manter o controle humano sobre as respostas produzidas pelas ferramentas. (CGI.br)
A novidade ganha importância porque a internet brasileira já é utilizada por 157 milhões de pessoas, segundo a TIC Domicílios 2025, enquanto cerca de 50 milhões de usuários já declaravam utilizar IA generativa. (Cetic.br) Ao mesmo tempo, uma pesquisa recente do Cetic.br mostrou que 32% dos usuários de internet com 16 anos ou mais, o equivalente a 45 milhões de pessoas, relataram ter sofrido tentativa de golpe envolvendo seus dados pessoais. (Cetic.br) A principal dúvida, portanto, não é mais se a IA fará parte da vida digital, mas como utilizá-la sem transformar praticidade em vulnerabilidade.
Por que o uso da IA exige mais atenção de quem está na internet
Ferramentas de inteligência artificial conseguem produzir textos, resumir documentos, gerar imagens, auxiliar em pesquisas, traduzir conteúdos e apoiar tarefas profissionais em poucos segundos. Essa facilidade explica parte da rápida adoção da tecnologia no Brasil e também cria uma nova relação entre usuário e informação, na qual respostas aparentemente convincentes podem ser aceitas sem uma verificação adequada. O próprio CERT.br alerta que modelos de linguagem podem apresentar erros e que informações inseridas nesses serviços podem trazer riscos de privacidade. (CGI.br)
Para quem trabalha com marketing digital, comércio eletrônico ou produção de conteúdo, esse cuidado é especialmente importante. Um texto gerado por IA pode ajudar na elaboração de ideias, títulos, descrições de produtos ou planejamento de campanhas, mas não substitui a conferência de dados, fontes e informações sensíveis. O mesmo vale para pequenos empreendedores que utilizam ferramentas de IA para atendimento ou organização: documentos internos, informações de clientes e credenciais não devem ser tratados como simples material para copiar e colar em qualquer plataforma. A questão central passa a ser entender quais dados podem ser compartilhados e quais precisam permanecer protegidos.
Esse cenário também modifica a própria dinâmica da busca na internet. Em vez de acessar diferentes páginas para comparar informações, o usuário pode receber uma resposta pronta de um sistema de IA e encerrar a pesquisa ali. Isso torna ainda mais importante conferir a origem das informações, principalmente quando a resposta envolve dinheiro, documentos, serviços públicos, saúde, segurança ou decisões profissionais. Para criadores de conteúdo, a responsabilidade aumenta porque um erro produzido por IA pode ser reproduzido em escala e alcançar muitas pessoas rapidamente.
Golpes digitais mostram por que dados pessoais valem tanto
A preocupação com segurança não é apenas teórica. O levantamento divulgado pelo Cetic.br em 31 de agosto mostrou que 32% dos usuários de internet brasileiros com 16 anos ou mais afirmaram ter sofrido tentativas de golpes utilizando seus dados pessoais, enquanto 20% disseram ter sido vítimas desse tipo de crime. Aplicativos de mensagens foram citados por 84% das pessoas que relataram tentativas, enquanto chamadas telefônicas apareceram em 79% dos casos. (Cetic.br)
Os números ajudam a explicar por que a proteção de dados precisa estar presente também nas atividades cotidianas realizadas pelo celular. Um usuário pode receber uma mensagem aparentemente legítima, clicar em um link, fornecer informações pessoais e, sem perceber, entregar elementos que podem ser usados em novas tentativas de fraude. A inteligência artificial pode ampliar esse problema ao facilitar a criação de textos mais convincentes, imagens manipuladas e outros conteúdos capazes de parecer autênticos, o que torna a capacidade de verificar uma informação cada vez mais importante.
O cenário também interessa diretamente a empresas, lojas virtuais e profissionais autônomos. Uma conta de rede social comprometida pode significar perda de acesso a clientes, campanhas e canais de venda, enquanto o vazamento de informações pode gerar consequências financeiras e reputacionais. Por isso, segurança digital não deve ser tratada apenas como responsabilidade do setor de tecnologia: senhas fortes, autenticação em dois fatores, atualização de dispositivos e atenção a mensagens inesperadas fazem parte da rotina de qualquer negócio conectado.
Internet mais rápida amplia oportunidades, mas também exige responsabilidade
A evolução da conectividade brasileira continua acompanhando essa transformação digital. Dados da Anatel referentes ao segundo trimestre de 2026 registraram 276,4 milhões de acessos móveis no país, com 66,1 milhões de linhas utilizando 5G, equivalente a 23,9% da base. (Serviços e Informações do Brasil) Mais recentemente, em 4 de setembro, a agência aprovou a realização de consulta pública sobre uma proposta de edital para utilização da faixa superior de 6 GHz, com previsão de compromissos relacionados à expansão da cobertura móvel e à implantação de infraestrutura. (Serviços e Informações do Brasil)
Na prática, isso significa que a internet brasileira está ficando mais preparada para serviços que dependem de conexão rápida e estável, desde aplicações de IA até comércio eletrônico, produção audiovisual e ferramentas de trabalho remoto. A expansão, porém, não elimina diferenças de acesso: a TIC Domicílios 2025 mostrou que 85% da população brasileira utilizou a internet, mas também registrou diferenças entre áreas urbanas e rurais e entre os tipos de conexão disponíveis. (Cetic.br)
Para quem vive da internet, a tendência combina oportunidade e responsabilidade. Mais conectividade significa mais possibilidades para vender, divulgar serviços, produzir conteúdo e alcançar clientes, mas também aumenta a quantidade de dados, contas e informações que precisam ser protegidos. O novo material do CERT.br reforça justamente essa mudança de comportamento: a tecnologia pode ser uma ferramenta poderosa, desde que o usuário mantenha senso crítico, proteja sua privacidade e não trate respostas automatizadas como verdades que dispensam verificação. (CGI.br)
A internet brasileira entra, assim, em uma fase em que velocidade, inteligência artificial e segurança caminham juntas. Para o usuário comum, a principal mudança é simples: saber utilizar uma ferramenta digital já não é suficiente; também é necessário compreender seus riscos e limites. Para empresas e criadores, o desafio é ainda maior, porque confiança passou a ser parte essencial da presença online. Em um ambiente no qual mensagens, imagens e respostas podem ser produzidas rapidamente por sistemas automatizados, verificar informações antes de compartilhar, proteger dados pessoais e manter controle humano sobre decisões digitais são atitudes que ajudam a aproveitar a tecnologia sem transformar inovação em risco.
Fonte: CERT.br/CGI.br — guia sobre inteligência artificial e segurança
Fonte: Cetic.br — pesquisa sobre golpes e dados pessoais
Fonte: Anatel — consulta pública da faixa de 6 GHz

