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Divulga na Internet Notícias > Blog > Tech > ONU reúne o mundo em Genebra para debater o futuro da governança da inteligência artificial
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ONU reúne o mundo em Genebra para debater o futuro da governança da inteligência artificial

Yuna Morisaki
Por Yuna Morisaki 8 de julho de 2026 7 Min de leitura
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Diálogo Global sobre IA discute segurança, responsabilização e soberania digital, com participação de representantes do Brasil e de países lusófonos.

Contents
O recado do secretário-geral da ONU sobre o ritmo da tecnologiaSegurança, confiança digital e o papel do Brasil no debateSabedoria indígena e o debate ético em torno da tecnologiaO que esperar dos próximos passos da governança global de IA

Enquanto empresas e governos correm para adotar inteligência artificial em escala, a Organização das Nações Unidas decidiu reunir representantes de todo o mundo para discutir como essa tecnologia deve ser governada. O Diálogo Global da ONU sobre Inteligência Artificial foi aberto nesta semana na Suíça, com representantes de governos, empresas de tecnologia, academia, sociedade civil e a comunidade técnica reunidos para debater a governança da inteligência artificial. O encontro chama atenção justamente por reunir, pela primeira vez, países de diferentes níveis de desenvolvimento tecnológico em torno de uma mesma mesa de discussão, em um momento em que a IA deixa de ser vista como novidade experimental e passa a integrar decisões que afetam diretamente a vida das pessoas, do diagnóstico médico à concessão de crédito bancário.

O recado do secretário-geral da ONU sobre o ritmo da tecnologia

A abertura do evento trouxe um tom de urgência pouco comum em fóruns diplomáticos sobre tecnologia. Segundo o secretário-geral da ONU, António Guterres, a inteligência artificial está avançando em uma velocidade vertiginosa, e a questão central que se coloca é saber se o ser humano irá governá-la em conjunto ou se permitirá ser governado por ela. A frase resume a preocupação central que motivou a criação do diálogo: garantir que decisões sobre o desenvolvimento e o uso da IA não fiquem concentradas apenas nas mãos de poucas potências tecnológicas.

Nesse sentido, o secretário-geral destacou um aspecto inédito da iniciativa. Guterres explicou que, pela primeira vez, o diálogo sobre IA dá a todos os países “um lugar à mesa”, mas ponderou que é preciso transformar essa participação em ação global concreta para tornar a inteligência artificial mais segura, mais justa, mais acessível e mais ética. Essa fala reflete uma preocupação recorrente entre países em desenvolvimento, que temem ficar à margem das decisões regulatórias sobre uma tecnologia que já está remodelando setores inteiros da economia mundial.

Segurança, confiança digital e o papel do Brasil no debate

Um dos pontos centrais da programação envolveu discussões técnicas sobre os fundamentos da inteligência artificial. Um dos encontros teve como tema uma mesa-redonda sobre os fundamentos da IA, discutindo assuntos como confiança digital e infraestrutura de inteligência artificial acessível para todos os países, não apenas para as economias mais avançadas. Esses temas ganham relevância à medida que cresce a preocupação com a chamada soberania de dados, conceito que trata da capacidade de um país controlar seus próprios sistemas e infraestrutura tecnológica, sem depender exclusivamente de plataformas estrangeiras. UN News

O Brasil teve participação direta nesse debate internacional. Carlos Manuel Baigorri, presidente da Agência Nacional de Telecomunicações, a Anatel, representou o país no encontro, ao lado de Raquel Brízida Castro, vice-presidente do Conselho de Administração da Autoridade Nacional de Comunicações de Portugal, reforçando a presença de países lusófonos na discussão global sobre o tema. A presença de reguladores de telecomunicações, e não apenas de especialistas em tecnologia pura, sinaliza que a discussão sobre IA está cada vez mais entrelaçada com políticas de infraestrutura digital e conectividade.

Sabedoria indígena e o debate ético em torno da tecnologia

Um dos aspectos mais originais da programação foi a inclusão de vozes que normalmente ficam fora de discussões técnicas sobre tecnologia. Estava prevista uma atividade específica sobre inteligência artificial, sabedoria indígena e o futuro da humanidade, debatendo como o conhecimento indígena, a gestão responsável do clima e o uso responsável da IA podem contribuir para um futuro mais sustentável, com a participação de Puyr Tembé, liderança indígena do povo Tembé, do Território Indígena Alto Rio Guamá, na Amazônia brasileira. A escolha de incluir esse tipo de perspectiva no debate mostra uma tentativa da ONU de ampliar o escopo da conversa sobre inteligência artificial para além dos aspectos puramente técnicos ou comerciais.

Esse movimento também dialoga com um contexto mais amplo de crescimento acelerado da adoção de IA em todo o mundo. Levantamentos recentes do setor apontam que o uso de inteligência artificial generativa já ultrapassa um quinto da população mundial em idade ativa, com dezenas de economias superando um terço de adoção entre suas populações. É justamente esse ritmo de expansão que torna urgente, segundo especialistas reunidos em Genebra, a criação de marcos regulatórios que acompanhem a velocidade da tecnologia sem sufocar sua capacidade de gerar benefícios sociais e econômicos.

O que esperar dos próximos passos da governança global de IA

O Diálogo Global da ONU sobre Inteligência Artificial sinaliza que a discussão sobre regras para a tecnologia deixou de ser um tema restrito a poucos países desenvolvidos e passou a envolver, de forma mais ativa, nações emergentes, comunidades tradicionais e organismos multilaterais. Para o Brasil, a participação da Anatel no encontro reforça o interesse do país em não apenas adotar inteligência artificial, mas também influenciar as regras internacionais que vão moldar seu uso nos próximos anos. O desafio agora, como destacou o próprio secretário-geral da ONU, é transformar esse espaço de diálogo em compromissos concretos, capazes de equilibrar inovação tecnológica com segurança, ética e inclusão digital em escala global.

Fontes:

  • https://news.un.org/pt/story/2026/07/1853647
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