A Seleção chega embalada pela goleada sobre o Haiti, mas enfrenta um adversário motivado e com a classificação em aberto no Grupo C
A Copa do Mundo de 2026 entrou em sua fase mais decisiva para o Brasil. Depois de estrear com um empate por 1 a 1 contra Marrocos, no MetLife Stadium em Nova Jersey, e depois golear o Haiti por 3 a 0 na segunda rodada, com dois gols de Matheus Cunha e um de Vinicius Jr., a Seleção chegou a este 24 de junho em situação confortável — quatro pontos, liderança do Grupo C e a classificação dependendo apenas de si mesma. O adversário desta quarta-feira é a Escócia, no Hard Rock Stadium em Miami, a partir das 19h no horário de Brasília. Parece um cenário favorável, mas o futebol já mostrou que situações assim pedem atenção redobrada. A última derrota do Brasil numa terceira rodada de fase de grupos aconteceu exatamente nessa situação, contra Camarões no Catar. Além disso, a Escócia vive a Copa com a energia de quem está de volta ao Mundial pela primeira vez em 28 anos, e qualquer resultado positivo pode garantir a inédita classificação para o mata-mata.
O histórico entre as duas seleções é amplamente favorável ao Brasil. Em dez confrontos ao longo da história, a Seleção acumulou oito vitórias e dois empates, com três derrotas escocesas em fases de grupos de Copas anteriores. Em 1982, na Espanha, o Brasil venceu por 4 a 1, com gols de Zico, Éder, Falcão e Oscar. Em 1990, na Itália, Müller decidiu nos minutos finais para o 1 a 0. Em 1998, na França, o Brasil abriu o Mundial com uma vitória por 2 a 1. Mas a Escócia de 2026 não é mais aquela seleção que aparecia nas Copas apenas para participar. O time de Andy Robertson, Scott McTominay e John McGinn terminou em terceiro na última Nations League e chegou à fase final da classificação europeia para o Mundial como vice-campeão de seu grupo. A postura dos escoceses neste torneio também surpreendeu: venceram o Haiti na estreia por 1 a 0 e só caíram para Marrocos no detalhe, com um gol nos primeiros minutos de jogo.
O que muda para o Brasil com a lesão de Raphinha
A baixa mais sentida na segunda rodada foi a de Raphinha, que deixou o campo com dores no primeiro tempo do jogo contra o Haiti. O atacante do Barcelona é titular absoluto de Carlo Ancelotti e uma das principais opções de criação ofensiva da Seleção. Sua presença no jogo desta quarta ainda era incerta até a véspera. Com ou sem o camisa 11, o treinador italiano deve manter a espinha dorsal que funcionou bem contra o Haiti: Alisson; Danilo, Marquinhos, Gabriel Magalhães e Douglas Santos; Casemiro, Bruno Guimarães e Lucas Paquetá; Rayan, Vini Jr. e Matheus Cunha. A dupla Vini e Cunha foi cirúrgica no segundo jogo. Cunha, que está em excelente fase no campeonato americano, finalizou três vezes e converteu duas, além de movimentar intensamente a defesa adversária.
O cenário aponta para uma partida mais aberta do que a de seis dias atrás. A Escócia, que precisa ao menos de um empate para sonhar com a classificação como um dos melhores terceiros colocados, deve pressionar desde o início e deixar espaços para as transições rápidas que Vini Jr. tanto aprecia. Por outro lado, o Brasil tem o luxo de poder administrar o resultado desde que saia na frente. Os torcedores brasileiros nos Estados Unidos já mostraram presença nos dois primeiros jogos, e os ingressos para esta partida foram rapidamente esgotados. Segundo dados da CNN Brasil, o valor dos ingressos para ver o Brasil ao vivo disparou após a estreia, tornando a experiência cada vez mais restrita para quem não comprou com antecedência. A pressão nas redes sociais e o engajamento fora das quatro linhas também bateram recordes.
O que significa a classificação para o Brasil e para o hexacampeonato
Desde 2002, o Brasil não levanta uma Copa do Mundo. São cinco edições, 24 anos e uma fila que pesa na alma do torcedor. Em 2006, a eliminação nas quartas para a França. Em 2010, novamente nas quartas, para a Holanda. Em 2014, o trauma das Minas Gerais com a goleada alemã. Em 2018, eliminado pela Bélgica. Em 2022, nas quartas de final, pênaltis contra a Croácia. Cada uma dessas campanhas carregou esperança e terminou com decepção. A edição de 2026 tem elementos diferentes: um técnico de renome mundial como Carlo Ancelotti no comando, um elenco com qualidade técnica inegável e um formato ampliado para 48 seleções que dá mais margem para ajustes ao longo do torneio.
Para além do futebol, a Copa de 2026 também é um evento econômico de escala inédita. Segundo dados divulgados pelo jornal vietnamita VTV em análise sobre impacto global, o torneio deve contribuir com dezenas de bilhões de dólares para as economias dos três países-sede: EUA, México e Canadá. No Brasil, o engajamento com a Copa transformou os hábitos de consumo, impulsionou o comércio de acessórios da Seleção e aqueceu os bares e restaurantes em todo o país. O jogo desta quarta-feira, independentemente do placar, define o humor de milhões de brasileiros e a posição da Seleção no chaveamento do mata-mata que começa no dia 29 de junho. Uma vitória colocaria o Brasil na melhor posição possível: primeiro do grupo, com adversário mais favorável na segunda fase e clima de confiança para as rodadas seguintes.
A Escócia joga por necessidade, o Brasil por estratégia. Mas como o futebol ensina há décadas, às vezes a necessidade é o combustível mais explosivo que existe. O torcedor brasileiro vai ao estádio e acompanha pelo sofá com um misto de esperança e cautela que já virou tradição nacional em anos de Copa. O hexacampeonato começa a ganhar contornos mais concretos a cada jogo vencido, mas sabe melhor quando chega após superar os momentos de pressão que toda grande campanha exige.
Fontes: CNN Brasil | Olympics.com | Trivela | Gazetadopovo.com.br
Autor: Diego Rodríguez Velázquez

