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Fazer jogos no Brasil já é profissão, não só hobby

Yuna Morisaki
Por Yuna Morisaki 27 de outubro de 2026 5 Min de leitura
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5 Min de leitura
Richard Lucas da Silva Miranda
Richard Lucas da Silva Miranda
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Richard Lucas da Silva Miranda, fundador da LT Studios, publisher brasileira de jogos digitais com atuação no mercado de games e tecnologia, costuma ouvir que fazer jogos no Brasil é hobby de entusiastas.

Contents
O mito: games no Brasil são coisa de amadorServiço ou IP própria: um equilíbrio recenteE o interesse dos profissionais?O que ainda faltaUm horizonte de ambição

Contudo, sua resposta vai para um caminho contrário, sendo baseado nos números do próprio setor, que mostram uma indústria bem mais estruturada do que essa imagem sugere.

O mito: games no Brasil são coisa de amador

A ideia é antiga e tem uma origem compreensível: durante muito tempo, o setor foi pequeno e pouco estruturado, e muita gente via a criação de jogos como atividade paralela. Esse quadro mudou. Segundo a 2ª Pesquisa Nacional da Indústria de Games, realizada pela Abragames com a ApexBrasil e citada pelo Canaltech em maio de 2026, o Brasil tem mais de mil estúdios ativos e mais de 13 mil profissionais atuando no setor.

Um levantamento anterior da mesma parceria, citado pelo jornal O Hoje, apontava 1.042 estúdios, contra 1.009 em 2021, e registrava 1.009 jogos lançados em 2022, alta de 12% sobre o ano anterior. O número de profissionais passou de 12.441 para 13.225 no período analisado, um aumento de 6,3%.

Esses dados indicam crescimento gradual, e não explosão. Ainda assim, mostram um setor que se sustenta ao longo dos anos, com equipes que se mantêm e produzem de forma contínua.

Serviço ou IP própria: um equilíbrio recente

Outro dado desfaz a imagem de que os estúdios brasileiros apenas prestam serviço. O presidente da Abragames, Rodrigo Terra, disse ao Canaltech que o mercado está dividido de forma quase igual entre estúdios que desenvolvem propriedade intelectual própria e aqueles que trabalham em projetos externos, em geral coproduções com produtoras internacionais.

Richard Lucas da Silva Miranda
Richard Lucas da Silva Miranda

Richard Lucas da Silva Miranda avalia que os dois modelos se complementam. O serviço traz receita estável e experiência com grandes produções, enquanto a IP própria cria patrimônio e possibilidade de ganhos maiores, ainda que com mais risco.

E o interesse dos profissionais?

A Pesquisa Game Brasil de 2023, com 14.825 pessoas, mostrou que 58,3% dos jogadores acreditavam que o setor de games no Brasil oferece boas oportunidades de carreira, enquanto 15,5% discordavam e 17,5% eram indiferentes. As áreas de emprego mais citadas foram criação de conteúdo (68,3%), publicação ou marketing (68%), programação (66%), efeitos visuais (65,7%) e arte e animação (65%).

O levantamento é de 2023 e mede percepção, não vagas abertas. Mesmo assim, indica que o público enxerga a indústria como um caminho profissional possível, e não apenas como lazer.

O que ainda falta

A estrutura existe, mas os levantamentos citados não detalham porte, reserva de caixa ou nível de formalização das empresas, e esse é justamente o ponto em que Richard Lucas da Silva Miranda enxerga o maior desafio. Segundo ele, estúdios pequenos com contabilidade improvisada e contratos informais têm mais dificuldade de acessar incentivos, atrair investidores e fechar parcerias internacionais.

O desafio também é geográfico e cultural: quem está longe dos grandes centros de decisão precisa se esforçar mais para ser visto e para aprender como o mercado global funciona, e é nesse ponto que a articulação entre estúdios, associações e programas públicos faz diferença.

Esses obstáculos explicam por que programas de exportação, eventos internacionais e o Marco Legal dos Games são importantes: eles reduzem o custo de aprender e de se conectar ao mercado global.

Um horizonte de ambição

Para especialistas, o Brasil poderia ter, em menos de dez anos, um título com alcance comparável ao de FIFA ou Assassin’s Creed, mais provavelmente um jogo independente do que uma superprodução. A afirmação é uma estimativa, e não uma previsão garantida, mas ilustra a confiança de quem acompanha o setor de perto.

Richard Lucas da Silva Miranda, fundador da LT Studios, aponta que o desafio do setor deixou de ser provar que existe e passou a ser provar que se sustenta: com gestão financeira, contratos claros, propriedade intelectual protegida e jogos que cheguem ao público externo com qualidade constante.

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Richard Lucas da Silva Miranda
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