Modelo de bank-as-a-service permite que instituições não bancárias ofereçam contas e movimentação financeira integradas à própria operação, reduzindo a dependência de intermediários externos
O mercado brasileiro de infraestrutura financeira embarcada, ou bank-as-a-service, amadureceu significativamente nos últimos anos, deixando de ser uma tendência emergente para se consolidar como componente estrutural da oferta de serviços financeiros no país. Estimativas do setor apontam que o mercado global de infraestrutura bancária embarcada deve superar US$50 bilhões até o final de 2026, com taxa de crescimento anual acima de 15%, enquanto o segmento de finanças incorporadas na América Latina cresce a um ritmo próximo de 28,6% ao ano. No Brasil, o avanço é sustentado por um ecossistema regulatório mais maduro, que hoje conta com mais de 120 instituições de pagamento autorizadas pelo Banco Central, tema que a ID CTVM acompanha de perto como uma das pioneiras do setor no país.
De prestador de serviço a infraestrutura própria
O modelo de bank-as-a-service permite que gestoras, fintechs e outras instituições não bancárias ofereçam funcionalidades como contas de pagamento, movimentação de recursos e liquidação de operações diretamente integradas à própria plataforma, sem depender de parcerias externas com bancos tradicionais para cada uma dessas funções. Para administradores fiduciários, essa integração significa a possibilidade de controlar de ponta a ponta o fluxo financeiro de um fundo, da captação de recursos até a liquidação de resgates, reduzindo o número de intermediários envolvidos em cada operação e, consequentemente, o tempo necessário para processá-la.
Segundo Rodrigo Balassiano, diretor da ID CTVM, a autorização do Banco Central para operar com conta de pagamentos própria representou um salto na capacidade operacional da instituição.
“Deixar de depender de um banco parceiro para movimentar os recursos de um fundo muda completamente a velocidade e a previsibilidade da operação. A instituição passa a ter controle direto sobre cada etapa do processo, desde a captação até a liquidação final”, explica o executivo.
O crescimento do número de instituições de pagamento autorizadas e de sociedades de crédito direto no país também amplia a concorrência nesse mercado, pressionando prestadores de infraestrutura embarcada a investir continuamente em capacidade tecnológica e em conformidade regulatória para se diferenciar.
Regulação mais clara favorece a expansão do modelo
A Resolução Conjunta nº 16, editada em novembro de 2025 pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil, contribuiu para profissionalizar o mercado brasileiro de bank-as-a-service ao definir um rol específico de serviços permitidos nesse modelo, entre eles a abertura e manutenção de contas de depósito ou de pagamento, serviços de adquirência e operações de crédito, além de exigir que a instituição prestadora desse tipo de serviço seja autorizada a funcionar pelo Banco Central. O prazo para que instituições e parceiros já em operação adequem seus contratos e processos às novas regras se estende até 31 de dezembro de 2026. Esse arcabouço regulatório mais definido reduz incertezas jurídicas para instituições que desejam embarcar serviços financeiros em sua própria operação, favorecendo tanto fintechs em estágio inicial quanto instituições já consolidadas, como administradores fiduciários que buscam ampliar o escopo de serviços oferecidos à gestores e fundos sob sua administração.
A ID CTVM foi autorizada pelo Banco Central do Brasil a operar como a primeira corretora do país com conta de pagamentos integrada nativamente à própria infraestrutura tecnológica. Essa autorização, somada à habilitação da companhia pela CVM e pela ANBIMA para administração fiduciária, custódia qualificada, controladoria e escrituração, permite que a instituição ofereça um ciclo completo de serviços financeiros a gestoras e fundos, da constituição à liquidação.
Essa combinação de habilitações regulatórias distintas sob uma mesma infraestrutura tecnológica é o que diferencia o modelo de bank-as-a-service voltado ao mercado de capitais dos modelos mais genéricos oferecidos a varejo, já que exige domínio simultâneo sobre regras bancárias, regras de fundos de investimento e regras específicas de cada classe de ativo administrada.
Próxima fronteira é a integração entre diferentes camadas de serviço
Para Balassiano, a próxima etapa do bank-as-a-service no Brasil deve ser marcada pela integração cada vez mais estreita entre infraestrutura bancária e infraestrutura fiduciária.
“O objetivo não é apenas oferecer uma conta de pagamentos isolada, mas integrar essa conta ao restante do ciclo de vida de um fundo, da escrituração de cotas à controladoria de ativos. É essa integração que gera eficiência real para gestores e investidores”, pondera o diretor da ID CTVM.
Segundo dados do setor, clientes que utilizam serviços financeiros embarcados registram ticket médio superior e taxas de cancelamento mais baixas em comparação a modelos que dependem de intermediários externos, o que reforça o interesse de gestoras e fintechs em internalizar essas funcionalidades como parte da própria proposta de valor ao cliente final.
Mercado deve seguir em expansão nos próximos anos
A expectativa entre participantes do setor é que o mercado brasileiro de infraestrutura financeira embarcada continue crescendo nos próximos anos, à medida que mais gestoras e fintechs buscam reduzir sua dependência de parceiros bancários externos para funções essenciais de sua operação. Para administradores fiduciários com capacidade tecnológica própria, essa tendência deve se traduzir em uma ampliação relevante do escopo de serviços oferecidos ao mercado de capitais brasileiro.
A tendência é que esse crescimento se estenda também para segmentos ainda pouco explorados pela infraestrutura embarcada, como a gestão financeira de operações estruturadas complexas, ampliando o alcance do bank-as-a-service para além dos casos de uso mais tradicionais, como emissão de cartões e contas digitais para pessoa física.

