Existe algo preocupante acontecendo com muitos adolescentes atuais. Mesmo antes de entrarem oficialmente na vida adulta, vários já convivem com sensação constante de cansaço mental, dificuldade de concentração e pressão emocional intensa. O problema não aparece apenas em crises visíveis. Muitas vezes, ele se manifesta no silêncio, na perda gradual de motivação e naquela sensação de estar sempre tentando acompanhar um ritmo impossível.
Para Alexandre Costa Pedrosa, o ambiente moderno acelerou expectativas em uma velocidade que o emocional de muitos jovens simplesmente não consegue acompanhar. Redes sociais, comparação permanente, excesso de estímulos e cobrança por desempenho criaram uma geração que raramente consegue descansar de verdade, mesmo quando aparentemente está parada.
A adolescência ficou mais pesada?
Em muitos aspectos, sim. O adolescente de hoje cresce sendo constantemente observado, comparado e exposto a padrões difíceis de alcançar. A necessidade de parecer interessante, produtivo e socialmente aceito passou a ocupar espaço demais na construção da identidade.
Ao mesmo tempo, existe pouca tolerância ao erro. Pequenas falhas parecem ganhar proporções enormes em ambientes digitais, onde tudo é exposto o tempo inteiro. Isso gera estado contínuo de vigilância emocional.
Alexandre Costa Pedrosa percebe que muitos jovens acabam desenvolvendo comportamento de exaustão silenciosa. Continuam estudando, interagindo e mantendo a rotina, mas emocionalmente já estão sobrecarregados há bastante tempo.
Nem sempre o sofrimento aparece como tristeza
Esse é um dos pontos que mais confundem famílias. Adolescente emocionalmente desgastado nem sempre demonstra abatimento evidente. Em alguns casos, o que aparece primeiro é irritação, isolamento ou perda de interesse gradual pelas coisas que antes geravam prazer.
Outros sinais também costumam surgir:
- Alterações intensas no sono.
- Sensação frequente de vazio.
- Dificuldade para se concentrar.
- Oscilações emocionais constantes.
- Excesso de autocrítica.
- Cansaço mental persistente.
O problema é que muitos desses comportamentos acabam sendo tratados apenas como “drama da adolescência”, fazendo com que o sofrimento real passe despercebido durante muito tempo.

O impacto é ainda maior em jovens neuroatípicos?
Frequentemente, sim. Adolescentes com TDAH, TEA ou altas habilidades costumam enfrentar níveis ainda maiores de desgaste emocional porque já convivem naturalmente com esforço constante de adaptação social.
Alguns passam o dia inteiro tentando controlar impulsos, interpretar interações sociais ou acompanhar ambientes extremamente estimulantes. Quando chegam em casa, a sensação é de esgotamento absoluto.
Alexandre Costa Pedrosa acredita que muitos jovens neuroatípicos crescem ouvindo que são “sensíveis demais”, quando na verdade apenas estão tentando sobreviver emocionalmente em contextos que exigem adaptação contínua.
O excesso de comparação mudou a forma como os jovens se enxergam
Hoje, muitos adolescentes avaliam o próprio valor com base em desempenho, aparência ou aceitação social online. Isso cria uma sensação permanente de insuficiência. Mesmo conquistas importantes perdem impacto rapidamente porque sempre existe alguém aparentemente melhor, mais bonito, mais produtivo ou mais popular. Aos poucos, o cérebro entra em estado constante de cobrança e comparação automática.
Alexandre Costa Pedrosa entende que uma das maiores necessidades emocionais da adolescência atual é justamente recuperar espaços de autenticidade, em que o jovem não precise performar o tempo inteiro para se sentir aceito. Talvez o maior erro dos adultos seja imaginar que o sofrimento emocional do adolescente sempre será exagerado ou passageiro. Em muitos casos, aquilo que parece apenas “fase” já é um pedido silencioso de ajuda acontecendo bem diante dos olhos da família.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez

